segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dedé Monteiro: Meu Papai Noel de casa.















Aos garotos desconhecidos deste velhinho.


Os sinos tocam contentes.
Aí, Papai Noel sai,
Distribuindo presentes,
Como se fosse outro pai.
Durante essa missão sua,
Desce rua, sobe rua,
Sobe morro, morro desce…
Palmilha todo o terreno.
Só meu casebre pequeno,
Papai Noel desconhece.
É porque eu não conheço
Onde Papai Noel mora.
Senão, o meu endereço
Eu ia enviar-lhe agora.
Escrevia um bilhetinho,
Pra lhe contar direitinho,
Onde fica o meu chalé.
Se dizem que ele advinha,
Por que só minha casinha
Ele não sabe onde é?
 
Quer saber o que se dava
Se papai fosse um ricaço?
Papai Noel não errava
As grades do meu terraço.
Chegava fora de hora,
Rondava a casa por fora,
Pela chaminé descia
E, em silêncio e sorrindo,
Deixava um presente lindo,
Pegava o saco e saía.
Chaminé muito enfeitada,
Minha palhoça não tem.
Mas, duma lata amassada,
Papai fez uma também.
Mas, se o senhor entender
Que ela não vai lhe caber,
Eu deixo aberta a janela.
Aí, se o senhor cansar
E achar que não deve entrar,
Jogue o presente por ela.
Reclamando desse jeito,
Talvez, eu esteja errado.
Pois, meu mocambo foi feito
Num lugar muito atrasado.
Lá, Papai Noel não passa,
Porque nem tem luz, nem praça,
Nem parque de diversão…
Esse Papai Noel nobre,
Não liga menino pobre
Que vive de pés no chão.
Mas, papai que é mais humano,
Este ano me falou:
“Se Deus quiser, para o ano,
Seu Presente eu mesmo dou!”
Papai é papai de fato.
Não é papai de boato,
Como esse Noel que atrasa.
Meu papai é tão fiel,
Que não há Papai Noel
Como esse que eu tenho em casa!!!

-Dedé Monteiro-

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Giuseppe Ghiaroni: A Máquina de Escrever





















Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.

Vende ese rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.

Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.

Vende , além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.

Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.

Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.

Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.

Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.

Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas,tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.

Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!

Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.

Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.

Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas eclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.

Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.

Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.

(Giuseppe Ghiaron)

Giuseppe Ghiaroni: A ESTUDANTE, A PERDIDA E A CASADA






Num tempo que vai longe em minha vida

E que eu lembro muito bem mesmo distante
Três amores eu tive: uma estudante
Uma mulher casada e uma perdida



A estudante eu amava afoitamente
Antes da escola mal o sol nascido
A casada na ausência do marido
E a perdida depois do expediente



Era no tempo das imagens belas
Escrevi um poema certa vez
Um poema inspirado em uma delas
Mas fiz três cópias para dar as três



E as três choraram de emoção profusa
Cada qual se sentindo retratada
Cada qual chorou lágrimas de musa
A estudante, a perdida e a casada



Assim algo encontrei de semelhante
Nos diversos amores desta vida
Que a casada tem algo da estudante
E que as duas têm muito da perdida.



(Giuseppe Ghiaroni)

domingo, 27 de novembro de 2011

PREÇO DO SUCESSO: ALDEIR BEZERRA

UM POEMA DE ALDEIR BEZERRA EM PARCERIA COM HENRIQUE BRANDÃO



conheço um poeta boa gente
é um cara de mais desenrolado
ele sofreu muito no passado
mas hoje sua vida é diferente
relembrando um passado inocente
quando criança a brincar pelo sertão
galopando em seu cavalo alazão
mas a vida lhe deu muita riqueza
mas seu peito hoje vive na pobreza
por não poder voltar pro seu torrão

a riqueza endurece o coração
se da vida você vive escondido
trabalhando e  muito decidido
a de novo fazer mais um serão
ta enchendo o seu boldo, e o coração
ta vazio de amor que tinha outrora
num momento sorri, no outro chora
o seu peito explodindo com o excesso
isso tudo é o preço do sucesso
alegria renasce. Mas demora.

-Aldeir Bezerra-

CAIO MENESES - FEIRA DE CORDEL SERRA TALHADA

Grande poeta Caio Menezes na feira de cordel em Serra Talhada!



HOMENAGEM A KARAVEIA, TOADA DE HENRIQUE BRANDÃO, COM PARTICIPAÇÃO DE BUSCAPÉ (ARREIO DE OURO)

ALDEIR BEZERRA: MORENA COR DE CANELA

MAIS UMA MÚSICA DE HENRIQUE BRANDÃO CANTADA POR ALDEIR BEZERRA!


ALDEIR BEZERRA: EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL!

MUSICA DE HENRIQUE BRANDÃO, NA VOZ DE ALDEIR BEZERRA!



sábado, 26 de novembro de 2011

Toada de Henrique Brandão, participação de Buscapé (Arreio de Ouro)

Jessé Costa: Entre os anjos da guarda.





Mais uma Malassobrisse das grandes do poeta Jessé costa!





Rosa é todinha de sorte,
Disse seu anjo da guarda,
Não há bala de espingarda
Nem instrumento de corte
Doença ou coisa de morte
Que perturbe sua vida
E, sendo assim, minha lida
É tão chata que entedia 
Já tem pra mais de "mil dia" 
Qu’eu nem saio da guarida

Pois comigo é diferente,
Disse o anjo doutro lado,
Que Quelé, o meu guardado,
Tá demais inconsequente
Pois gamou perdidamente
Por Rosa, sua guardada,
E buscando pela amada
Vive num findo da morte
Em instrumento de corte
E em tiro de espingarda!

Por isso meu camarada
Que a muito eu não descanso
Minha lida é puro ranço
Não tenho tempo pra nada
Vivo metido em roubada
Salvando meu protegido
Feliz é você, querido,
Que não tem o que guardar
E nem vive a se estrepar
Por um mal agradecido!

-Jessé Costa-

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poeta Antônio Barreto: BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL.






Antônio Barreto

Cordel que deixou Rede Globo e Pedro Bial indignados.

Antônio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara/Bahia-Brasil.

Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós-graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Vários trabalhos em jornais, revistas e antologias, tendo publicado aproximadamente 100 folhetos de cordel abordando temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antônio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.



BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL.
            
Autor: Antônio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
            
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
            
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
            
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.
            
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.
            
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
            
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
            
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
            
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
            
Respeite, Pedro Bial
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
            
Enquanto a sociedade
 Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.
            
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
            
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
            
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
            
Talvez haja objetivo
 “professor", Pedro Bial
 O que vocês tão querendo
É injetar o banal
 Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
            
Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
 Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
 Nesse mar de palhaçadas.
            
  Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
 (Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
            
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto à poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
            
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
            
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
            
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
            
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
            
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
 No mundo espiritual.
            
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
            
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
            
-
Antônio Barreto-



Poeta José Adalberto Ferreira: “VOU DAR MAIS UMA CHANCE A ESSE AMOR, NEM QUE EU SEJA FRUSTRADO NOVAMENTE”

Vou fazer uma nova tentativa
Como a planta que dentro das escolhas
Necessita perder as próprias folhas
Pra ganhar o direito de estar viva
Se a raiz do perdão for decisiva
Pra nutrir o que pode unir a gente
Vou virar uma planta diferente
Mas você nem precisa virar flor
Vou dar mais uma chance a esse amor
Nem que eu seja frustrado novamente!

Baseado no topo da verdade
Que protege infeliz, errado e louco
Vou tentar outra vez descer um pouco
Do tijolo da minha vaidade
Pra não ter que julgar sua vontade
Com mais uma vontade intransigente
Possa ser que a razão seja inocente
E o remorso condene a minha dor
Vou dar mais uma chance a esse amor
Nem que eu seja frustrado novamente!

Apesar de perder no seu verão
A colheita dos sonhos que plantei
Não deixei de ter fé, porque eu sei
Que o amor faz chover no coração
Vou plantar outra vez no mesmo chão
Que deixou de brotar minha semente
Confiante que o Céu daqui pra frente
Se transforme num grande regador
Vou dar mais uma chance a esse amor
Nem que eu seja frustrado novamente!

Águas turvas não deixam que eu enxergue 
O tesouro das nossas profundezas
Mas eu vou enfrentando correntezas
Temporal, maremoto e “aicibergue”
Cada onda de dúvida que se ergue
Representa um perigo permanente
Mas eu vou lançar rede consciente
De que posso ser pesca ou pescador
Vou dar mais uma chance a esse amor
Nem que eu seja frustrado novamente!



-José Adalberto Ferreira-

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Coluna do poeta Gleison Nascimento

Procurei teu sorriso em todo canto,
perguntei aos amigos em comum
de onde vem teu sorriso e teu encanto,
pois igual ao que tens não vi nenhum.
De repente te vi assim, tão perto,
que nem sei te dizer do jeito certo
o que tenho guardado prá te dar,
procurei teu sorriso e de repente
o destino te joga em minha frente
e eu aqui, sem saber o que falar!

-G.Nascimento-

Coluna do poeta Gleison Nascimento

Se fosse outro o meu rumo
que não fosse ser poeta
eu não sei o que faria
eu não traçaria meta
nem iria p'outro lado
faria galope errado
sextilha eu faria errando
eu confesso pra você
poeta eu não ia ser
mas ia morrer tentando.

-Gleison Nascimento-

Lima Júnior Poeta


O sucesso é somente o resultado
De trabalho, arrojo e eficiência,
Quem alcança o sucesso é contemplado
Com o diploma maior da competência.
Conhecer – pra lidar é certamente,
Alicerce de base consistente
Para quem empreende pra o futuro.
A atenção, o rigor e a segurança
São detalhes que geram confiança
Para quem adentrar-se em campo escuro.

Necessita-se ser determinado
Coerente, oportuno e detalhista,
Ter razão com escala e ser dotado
De conceito e também ponto de vista.
Paciência e espírito de, luta
São virtudes do homem que labuta
E que busca o sucesso tão sonhado.
Qualidade total é a chave certa,
Pra manter esta porta sempre aberta
À espera do fruto desejado.

Equilíbrio - é haste que sustenta,
Competência - é sinônimo de vitória,
Resistência – é suporte que ostenta
O histórico da nossa trajetória.
Temos todos que estar capacitados,
Para grandes combates, preparados
Pra vencermos batalhas dia a dia.
Mirar sempre um futuro que espera
Encarar o escuro, que é a fera
Guardiã desta longa escadaria.



-Lima Junior-

sábado, 19 de novembro de 2011

Jessé Costa: Malandro Enroscado!


Sabe aqueles caboclos que acham que nunca vão se amarrar? O tipo cabra que se acha o malandrão, o impenetrável, o modafoquer, o supra-sumo do cu do pato; jura que manda e desmanda nas aleatoriedades do mundo, jura controlar a mulesta a quatro e na verdade não manda em bobônica nenhuma?!

Pois imaginem esse cidadão quando dá de cara com uma paixão... quer dizer, uma não, duas...



Minha nossa senhora, eu tou lascado!
Bem verdade que o tempo faz das suas
E eu que tava enrolando todas duas
Pelas duas me encontro abestalhado!
Como pode um malandro apaixonado
Sem saber qual fazer de namorada?
Uma é linda e demais desenrolada
Mas a outra é meiguice sem limite
E o meu peito está feito dinamite
Vendo a hora explodir por quase nada!



-Jessé Costa-

Jessé Costa: Coração, bola de sopro!

Coração, sem endereço,
segue um rumo itinerante.
Cada peito um recomeço
e um fim não tão distante!
Coração, de canto em canto,
ofertando seu encanto
vai ganhando estadia;
porém não sendo o bastante,
tal caixeiro viajante,
vai embora no outro dia!

Coração só não escapa.
De vitória assegurada,
sempre sobra e derrapa
ante a linha de chegada.
Segue sem rumo, sem jeito,
por querer morar no peito
que não lhe dá moradia
e de assopro em assopro
é uma bola de sopro
que, furado, se esvazia...



-Jessé Costa-

SINA DE CANÁRIO

Estive lendo a reclamação do MONSENHOR JOSÉ IRLANDO MORAIS e concordo plenamente com ele!!!
E pra desanuviar um pouco dos assuntos politicais ai vai mais uma poesia…

-Mote de Felizardo Moura.
-Glosas de Luciano Pedrosa.
Que maldade fizeram com o canário
Lhe tiraram seu bem mais precioso
Seu cantar se tornou mais pesaroso
Seu olhar hoje enxerga outro cenário
Na gaiola o viver é solitário
Não vê mais o horizonte por inteiro
E hoje chora no fundo de um terreiro
A saudade que tem do filhotinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
Pelas grades avista o sol nascente
E uma dor no seu peito lhe apavora
O desejo que sente é ir embora
Pra bem longe do homem delinquente
Que não teme prender um inocente
Entre as grades frientas de um viveiro
E o canário se torna prisioneiro
Por cantar sua dor de ser sozinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.
-Luciano Pedrosa-

VERSOS INTERIORES: Um sublime contribuição do poeta Luciano Pedrosa

Da magia dos amores
Extraio seu fruto encanto
Da calma de um acalanto
Descompasso os dissabores
Com abraços redentores
Pacifico este universo
Galgando sonhos diversos
Vou trilhando a minha lida
Injetando sorte e vida
Na essência desses meus versos.
Trago um verso arterial
Que supre meu coração
Toda vez que a solidão
Me impõe seu arsenal
Tenho no meu temporal
As marcas dos desafios
Vencidos nos mais bravios
Protestos de liberdade
Trovados na tempestade
Dos estados mais sombrios.
Sou poeta malouvido
Que quer lutar contra o tempo
Sem prever o contratempo
De ter um sonho perdido
Mesmo assim sou atrevido
Corro atrás do impossível
Luto contra o invisível
Quebro a barreira do som
Procurando o melhor tom
Pra alcançar o inaudível.
Domo rugas da velhice
Com doses de juventude
E me prendo na virtude
Do tempo da meninice.
E um poeta já me disse
Que a beleza não se enxerga,
Que até o mais forte enverga
Quando exposto a sedução
E que não existe o “não”
Onde bem-querer se alberga.

Retirei seu retrato da carteira sem tirar seu amor do coração

Mote poeta Zé Adalberto, com Glosas de Henrique Brandao.

Restam mágoas com gosto de saudade
a vontade que dá é de morrer
sou um ser que perdeu contra a vontade
a vaidade que tinha de viver
ainda vejo resquícios de amor
que do nada, por nada me deixou
a amargura com gosto de ilusão
hoje expostas de forma tão certeira
Retirei seu retrato da carteira
sem tirar seu amor do coração.

Sopra o vento as lembranças d'eu e dela
aquarela de cor exuberante
neste instante com fé acendo uma vela
não pra ela, apenas confiante
se voltar pros meu braços, ta em casa
quer voar utilize suas asas
que eu apanho nossos cacos pelo chão
só te peço que seja a derradeira
Retirei seu retrato da carteira
sem tirar seu amor do coração.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CAMPANHA BRASIL SEM CIGARRO - POESIA: QUEM FUMA NÃO ESTÁ VENDO QUE TEM AS HORAS CONTADAS

MOTE: KAYSON PIRES
VERSOS: CÍCERO MORAES e KAYSON PIRES


CM
Fumar é vício fatal,
Engana com seu prazer
Para então poder fazer
O seu efeito real,
Exerce um grande mal
Escondido nas tragadas
Substâncias mascaradas
Provocam um mal tremendo
Quem fuma não está vendo
Que tem as horas contadas

KP
São caracóis transitórios
companheiros por acaso
que ocultam do fim o prazo
de males aleatórios.
Distúrbios respiratórios
dormência, câimbra e pontadas,
carótidas congestionadas,
pulmões se comprometendo,
quem fuma não está vendo
que tem as horas contadas

CM
Nicotina e alcatrão,
E outros gases fatais
São substâncias letais
Presentes nesse vilão
Destroem o seu pulmão,
Artérias são afetadas
Coração muda as pancadas
E o corpo vai perecendo
Quem fuma não está vendo
Que tem as horas contadas

KP
O homem grande mentor
da própria destruição
e faz do fumo um vilão
lhe adicionando sabor
vicia-se  o tragador
nas ervas bem temperadas
doces, aromatizadas
mascarando o mal tremendo
quem fuma não está vendo
que tem as horas contadas

CM
O efeito é demorado
Não é tão fácil notar
Mas quando ele chegar
Seu tempo será tomado
Num hospital internado
Com injeções aplicadas
Nas veias fragilizadas
Que aos poucos vão se rompendo
Quem fuma não está vendo
Que tem as horas contadas

KP
 mau hálito e taquicardia,
tosse, tontura e pigarro
presente que o cigarro
os oferece a cada dia
e mais uma bateria
de células contaminadas
as hemácias afetadas
o câncer vão promovendo
quem fuma não está vendo
que tem as horas contadas

CM
Onde existe um fumante
Contamina-se o ambiente
Com a fumaça bem quente
E de mau cheiro irritante
Torna-se um ignorante
Quem fuma em áreas fechadas
Até leis foram criadas
E o fumo estão combatendo
Quem fuma não está vendo
Que tem as horas contadas

Questão de gosto: Uma agradável contribuição do poeta Jessé Costa

É bonito a mulher
Que alisa seu cabelo
Pra ficar olhando o céu
Com medo do desmantelo
Que um reles pingo d’água
É capaz de acometê-lo??

E é bonito a mulher
Que pinta todo o semblante
Pensando ficar mais bela
Quando tem o resultante
De parecer um palhaço
Ou um guerreiro xavante?

Cada um pensa d’um jeito
E faz o que necessita
Mas como gostar de alguém
Que, a si, desacredita?
Quem foi que convencionou
Que a Barbie é que é bonita?

Moça enrole seus cachos
Não pinte tanto seu rosto
Se amostre como acorda
Deixe seu “eu” mais exposto
Que o bonito na vida
É tão só questão de gosto!



Jessé Costa